Tendências para 2026 em Segurança dos Alimentos
- Gisele Mutti Capiotto

- 18 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
A Segurança dos Alimentos está entrando em um dos ciclos de maior transformação técnica e regulatória dos últimos anos. Entre revisões de normas internacionais (como FSSC 22000 e as novas ISO 22002), avanços tecnológicos acelerados e pressões crescentes de consumidores, investidores e órgãos reguladores, 2026 será um ano decisivo.
As empresas da cadeia produtiva — da produção ao transporte, da embalagem ao varejo — precisarão se adaptar rapidamente para manter conformidade, competitividade e confiança.
Diante desse cenário, reuni os 10 temas que, de forma mais clara e consistente, devem moldar o sistema de gestão da segurança dos alimentos em 2026. São tendências já em movimento, mas que se intensificam no próximo ano e exigem preparação estratégica desde agora.
1. Revisão da certificação FSSC 22000 e transição para os novos requisitos
2026 será marcado pela revisão da certificação FSSC 22000 – versão 7, que reforça as tendências:
foco mais forte em cultura e liderança,
controles ambientais ampliados,
validações reforçadas,
governança digital e integridade de dados,
Impacto: ajustes estruturais no sistema de gestão, necessidade de treinamento das equipes e revalidação de processos.
2. Adequação às novas ISO 22002-1:2025 e ISO 22002-100 (PRPs)
Um dos maiores marcos técnicos do ano. As empresas precisarão absorver mudanças relevantes em:
higiene, projeto higiênico e ambiente de trabalho;
defesa, fraude e riscos integrados;
impacto em requisitos de materiais reutilizados.
Impacto: revisão completa dos PPRs, fluxos, POPs, controles de infraestrutura e fornecedores, além de assegurar os treinamentos de atualizações.
3. Inteligência Artificial, automação e governança digital da segurança dos alimentos
Em 2026, a inteligência artificial deixa de ser tendência e vira ferramenta essencial para:
monitoramento contínuo;
alertas preditivos;
redução de desvios;
digitalização completa de registros;
auditorias focadas na integridade eletrônica.
Impacto: performance operacional mais estável e auditorias mais rápidas, porém mais profundas e necessidade de validações.
4. Rastreabilidade avançada em toda a cadeia
A pressão por visibilidade total se intensifica. Sistemas integrados entre as cadeias de fornecimento e distribuição permitem:
rastrear ingredientes e lotes em segundos;
criar mapas de risco em tempo real;
reduzir tempo de resposta em crises.
Impacto: redução da rastreabilidade manual e fortalecimento da resposta a recalls. Maior segurança dos dados.
5. Expansão da agenda ESG aplicada à Segurança dos Alimentos
A convergência ESG + Food Safety fica mais forte com:
KPIs de segurança entrando em relatórios ESG;
controles de impacto ambiental ligados diretamente à segurança;
rastreabilidade socioambiental de fornecedores;
redução da perda e desperdício com controle acentuado e exigência normativa.
Impacto: segurança dos alimentos passa a ser tema de governança e reputação corporativa, com mais ênfase e destaque.
6. Pressão regulatória e limites para contaminantes emergentes
Em 2026, reguladores focarão em:
revisão de rotulagem;
microplásticos, MOAH/MOSH;
metais pesados;
limites harmonizados globais (Codex, FDA, UE, Mercosul).
Impacto: necessidade de novos planos de monitoramento, análises adicionais e revalidação de embalagens e processos térmicos.
7. Evolução da Cultura de Qualidade e Segurança dos Alimentos
A pauta passa da consciência para a maturidade comportamental, com:
KPIs culturais reais;
maior integração com RH;
métricas designadas pela liderança;
engajamento baseado em comportamento e propósito.
Impacto: cultura se intensifica como indicador de desempenho e fator crítico nas auditorias.
8. Gestão integrada de Food Defense, Food Fraude e Autenticidade
A tendência é consolidar defesa, fraude e autenticidade em sistemas robustos, unificados, com:
avaliação preditiva de vulnerabilidades;
mais controles para adulteração econômica;
análise ampliada de riscos logísticos e de fornecedores.
Impacto: redução de vulnerabilidades e de crises envolvendo adulteração.
9. Logística, cadeia do frio e transporte como ponto crítico do sistema
Com cadeias cada vez mais longas, tem-se a necessidade cada vez maior:
monitoramento contínuo via sensores;
alarmes automáticos de ruptura de temperatura;
auditorias mais rígidas em transportadoras;
integração indústria–varejo.
Impacto: gestão do transporte como tema crítico de auditorias.
10. Embalagens sustentáveis e economia circular sob a ótica da segurança dos alimentos
2026 vai acelerar a adoção de embalagens sustentáveis, mas com forte enfoque técnico:
validação da migração;
comprovação de barreira funcional;
uso seguro de reciclados (impulsionado pela ISO 22002-100 e legislações nacionais).
Impacto: embalagens passam a ser um elemento crítico da gestão de segurança do produto e controle regulatório.
Assim, 2026 será um ano marcado por mudanças profundas, maior rigor técnico e novas expectativas sobre como as empresas gerenciam riscos, cultura, tecnologia e transparência na Qualidade e Segurança dos Alimentos.
O desafio é grande — mas a oportunidade também. Quem iniciar essa preparação agora estará à frente: mais resiliente, mais eficiente, mais confiável e mais pronto para competir em um ambiente cada vez mais regulado e exigente. Que este panorama ajude equipes, líderes e profissionais a direcionarem seus esforços com clareza e visão estratégica.
Seguimos juntos construindo cadeias de alimentos mais seguras, sustentáveis e preparadas para o futuro.
As empresas que se anteciparem às mudanças regulatórias, tecnológicas e culturais não apenas reduzem riscos — elas ganham eficiência, credibilidade e vantagem competitiva.
Se você quer avaliar o nível de maturidade do seu sistema, entender os impactos das novas revisões normativas ou estruturar um plano de preparação técnica e estratégica, a GMC – Gestão e Melhoria Contínua pode apoiar sua organização nessa jornada.
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