Rotulagem como risco crítico: quando um erro gráfico ou operacional vira crise regulatória
- Gisele Mutti Capiotto

- 29 de jan.
- 2 min de leitura
Rotulagem não é detalhe gráfico.
É controle de risco.
E, quando falha, vira crise.
Nos últimos meses, vimos as consultas públicas e legislações da ANVISA avançando em temas como rotulagem de alimentos, incluindo alérgenos, ao mesmo tempo em que recalls por erro de rotulagem continuam acontecendo — inclusive recentemente, com o recall de chocolates, motivado por falhas nas informações do rótulo.
O ponto em comum desses casos?
A rotulagem ainda é tratada, em muitas empresas, como etapa final do marketing — e não como parte integrante do sistema de gestão da qualidade e segurança de alimentos.
O problema raramente é “só um erro gráfico”.
O problema é o processo por trás:
- ausência de validação técnica final
- falhas no controle de mudanças
- desconexão entre P&D, qualidade, regulatório, marketing e operação
Não por acaso, as normas de sistema de gestão da qualidade e segurança dos alimentos, como a FSSC 22000, tratam rotulagem como um controle operacional crítico.
O requisito 2.5.9 exige que existam procedimentos formais de partida e mudança de linha, assegurando que produto, embalagem e rotulagem atendam aos requisitos legais e do cliente.
Mais do que revisar arte, o requisito é explícito ao exigir controles para garantir a retirada completa de embalagens e rótulos anteriores da linha.
É exatamente aqui que muitos recalls começam: na troca de produto, na mudança de SKU, na limpeza mal conduzida e na liberação apressada da linha.
Quando um erro de rotulagem pode:
- gerar recall
- expor consumidores a riscos (especialmente alérgenos)
- acionar a autoridade sanitária
- e comprometer seriamente a marca
Fica a reflexão:
Erro gráfico parece pequeno → mas vira recall.
Marketing vê rótulo como comunicação → qualidade vê como controle crítico.
Então:
Rotulagem é marketing…ou é um controle crítico de segurança de alimentos?
Como esse controle é tratado hoje na sua operação?
Existe procedimento robusto de mudança de linha ou isso ainda depende da “atenção da equipe”?




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