O maior risco pode ser justamente aquele que deixou de chamar a atenção
- Gisele Mutti Capiotto

- 13 de jul.
- 2 min de leitura
O maior perigo nem sempre é o que está à nossa frente. Às vezes, é justamente o que deixamos de perceber.
Recentemente, tive a oportunidade de ministrar uma palestra sobre percepção de perigos e riscos na segurança dos alimentos, e uma reflexão chamou bastante a atenção dos participantes.
Todos nós acreditamos que estamos atentos ao ambiente ao nosso redor. Mas será que estamos, de fato?
Na rotina da indústria, muitos desvios deixam de chamar a atenção. Aquilo que antes seria percebido imediatamente passa a ser encarado como "normal".
Por exemplo:
Uma mangueira apoiada no chão.
Um utensílio armazenado em local inadequado.
Uma embalagem danificada.
Um colaborador que deixou de seguir uma etapa do procedimento.
Um equipamento com sinais de desgaste.
Uma porta aberta por alguns minutos "só dessa vez".
Isoladamente, esses exemplos podem parecer pequenos. Mas é justamente assim que muitos perigos para a segurança dos alimentos se desenvolvem: começam discretos, passam despercebidos e, quando percebidos, já se transformaram em um risco real.
A percepção de perigos vai muito além de cumprir checklists ou atender aos requisitos de uma norma. Ela depende de uma cultura organizacional em que as pessoas observam, questionam e se sintam responsáveis por identificar situações que possam comprometer o produto, as embalagens, os insumos e todo o processo produtivo.
Perceber um perigo é o primeiro passo para evitar que ele se transforme em um incidente.
Criar essa percepção exige treinamento, prática, comunicação e, principalmente, o exemplo da liderança. Quando a organização estimula um olhar crítico e incentiva o reporte de desvios sem receio, fortalece uma cultura preventiva, e não apenas reativa.
Na segurança dos alimentos, nem sempre o maior risco é aquele que desconhecemos. Muitas vezes, é aquele que já está presente no processo e deixou de ser percebido porque nos acostumamos com ele.
E na sua empresa? As pessoas realmente enxergam os perigos ao seu redor ou apenas convivem com eles todos os dias? Como essa percepção é estimulada na rotina da operação?




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