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Entrevista na íntegra: Grasiela Santos, executiva de Recursos Humanos da Pernod Ricard Brasil

10 de ago.
7 min de leitura

Na GMC Consultoria, acreditamos que a Cultura de Qualidade e Segurança dos Alimentos vai muito além de normas, auditorias e processos. Ela é construída diariamente pelas pessoas, pela liderança e pelas decisões que fortalecem um ambiente comprometido com a excelência.


É com grande satisfação que publicamos mais uma entrevista da nossa série de conteúdos com profissionais que são referência em suas áreas de atuação. Nesta edição, conversamos com Grasiela Santos, executiva de Recursos Humanos da Pernod Ricard Brasil, que compartilha sua visão sobre o papel estratégico da cultura organizacional na consolidação de sistemas de gestão sólidos e na promoção da Qualidade e da Segurança dos Alimentos.


Ao longo da entrevista, abordamos temas como liderança, engajamento das equipes, desenvolvimento de competências, fortalecimento da cultura organizacional e os desafios de transformar valores em práticas que geram resultados sustentáveis para o negócio.


A entrevista foi conduzida por Gisele Mutti Capiotto, consultora da GMC, em um diálogo que reúne a perspectiva da Gestão da Qualidade e da Gestão de Pessoas para demonstrar como essas áreas, quando atuam de forma integrada, impulsionam organizações mais resilientes, seguras e competitivas.


Convidamos você a conhecer essa conversa inspiradora e a refletir sobre um dos maiores diferenciais das empresas de alta performance: pessoas engajadas construindo, todos os dias, uma verdadeira cultura de Qualidade e Segurança dos Alimentos.


Segue mini currículo para apresentação da entrevistada:

 


Advogada e Executiva da Área de Recursos Humanos em uma multinacional do segmento de destilados, com mais de 20 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais. Ao longo de sua trajetória, tem atuado estrategicamente no desenvolvimento de pessoas, no fortalecimento da cultura organizacional e no apoio ao crescimento dos negócios, sempre conectando resultados à valorização das pessoas.


Participou da implantação de áreas e subsistemas de RH, de processos de transformação organizacional e de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de lideranças. Atualmente, apoia líderes e equipes na construção de soluções que fortalecem a cultura, impulsionam o desempenho e geram impacto positivo para a organização e seus colaboradores.


Mãe, esposa e apaixonada pelo desenvolvimento humano, acredita na liderança humanizada, no aprendizado contínuo e no poder das pessoas para transformar realidades. Tem como propósito desenvolver talentos, fortalecer culturas e criar ambientes onde pessoas e negócios prosperam juntos.


Acredita que o verdadeiro legado de um líder está nas pessoas que inspira a crescer, porque grandes resultados começam quando alguém acredita no potencial do outro.




Contexto e Visão Geral da Cultura de Qualidade e Segurança dos Alimentos


Como você define “cultura de qualidade e segurança dos alimentos” dentro do contexto da Pernod Ricard?

Para nós, cultura de qualidade e segurança dos alimentos significa garantir que cada colaborador, independentemente da função que ocupa, compreenda que é responsável pela integridade, qualidade e segurança do produto que chega ao consumidor. Não se trata apenas de cumprir normas ou procedimentos; trata-se de tomar decisões corretas todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando.

Na Pernod Ricard, buscamos construir uma cultura em que qualidade e segurança dos alimentos sejam valores incorporados ao comportamento das pessoas, presentes desde a seleção de fornecedores até a entrega final dos nossos produtos. 


Por que esse tema se tornou prioritário para a empresa do ponto de vista de RH e de gestão de pessoas?

Porque qualidade e segurança dos alimentos dependem essencialmente de pessoas. Sistemas, processos e tecnologias são fundamentais, mas quem garante sua execução são os colaboradores.

Do ponto de vista de RH, nosso papel é desenvolver competências, fortalecer comportamentos e criar um ambiente no qual cada pessoa se sinta responsável pelos padrões de excelência que buscamos. Quando falamos de segurança dos alimentos, falamos também de cultura, liderança, engajamento e responsabilidade compartilhada. 


Integração entre Qualidade/Segurança dos Alimentos e RH


Como o RH participa da construção, manutenção e evolução da cultura de qualidade e segurança dos alimentos?

O RH atua como parceiro estratégico da Qualidade. Participamos da construção dessa cultura desde o processo de atração e seleção até os programas de desenvolvimento, comunicação e gestão de desempenho.

Nosso objetivo é garantir que os valores relacionados à qualidade e à segurança dos alimentos estejam incorporados aos processos de gestão de pessoas e não sejam tratados como temas isolados ou exclusivos da área técnica. 


Que práticas ou rituais de RH são usados para reforçar essa cultura?

Temos diversas iniciativas:

- Integração de novos colaboradores com conteúdos específicos sobre qualidade e segurança dos alimentos;

- Treinamentos periódicos em Boas Práticas de Fabricação, APPCC, FSSC 22000 e requisitos regulatórios;

- Comunicação contínua por campanhas, diálogos de segurança e ações de conscientização;

- Desenvolvimento de lideranças para atuarem como exemplos culturais;

- Reconhecimento de comportamentos alinhados aos nossos valores;

- Eventos como o Dia da Qualidade, que aproximam o tema da rotina de todos os colaboradores.


Cultura como fator estratégico e de negócio


De que forma uma cultura forte de qualidade impacta o negócio e a reputação de uma empresa global como a Pernod Ricard?

Uma cultura sólida reduz riscos, fortalece a confiança dos consumidores, protege nossas marcas e gera vantagem competitiva.

Quando a Qualidade é vivida diariamente, aumentamos a eficiência operacional, reduzimos perdas e garantimos consistência nos produtos. Além disso, preservamos um dos ativos mais valiosos da empresa: a reputação construída ao longo de décadas junto aos consumidores em todo o mundo. 


Quais barreiras culturais ou comportamentais você percebe como mais frequentes em grandes organizações?

A principal barreira é acreditar que qualidade é responsabilidade apenas da área da Qualidade.

Outro desafio é transformar o conhecimento técnico em comportamento cotidiano. Muitas pessoas sabem o que deve ser feito, mas o diferencial está em criar disciplina, senso de dono e consciência coletiva para agir corretamente em todas as situações.

Por isso falamos tanto em cultura: ela conecta conhecimento e prática.

 

Maturidade de Cultura

 

Como vocês avaliam o nível de maturidade da cultura de qualidade e segurança dos alimentos dentro da empresa?

Observamos diversos indicadores, como resultados de auditorias, treinamentos, participação das lideranças, indicadores de desempenho, pesquisa de clima organizacional, gestão de desvios, comportamentos observáveis e percepção dos colaboradores.

Além disso, avaliamos continuamente evidências de que os princípios de qualidade estão presentes na tomada de decisão do dia a dia.  

   

Em que estágio vocês se consideram hoje — e qual é a visão de futuro?

Acredito que estamos em um estágio avançado de consolidação, especialmente porque o tema já faz parte das conversas da liderança, dos processos de gestão e da rotina operacional.

Mas cultura é uma jornada contínua. Nossa visão de futuro é evoluir para um modelo em que cada colaborador atue como guardião da qualidade e da segurança dos alimentos, promovendo cada vez mais protagonismo, prevenção e melhoria contínua.

 

Engajamento, Comunicação e Liderança

 

Quais estratégias funcionaram melhor para engajar colaboradores em temas que muitas vezes parecem técnicos?

As iniciativas mais efetivas são aquelas que tornam o tema próximo da realidade das pessoas.

Utilizamos linguagem simples, exemplos práticos, dinâmicas interativas, gamificação, compartilhamento de casos reais e atividades que mostram o impacto direto de cada função na segurança do consumidor.

O Dia da Qualidade é um excelente exemplo de como transformar um tema técnico em uma experiência de aprendizado e engajamento coletivo.    

 

Como a liderança é preparada para ser exemplo e promotora dessa cultura?

Trabalhamos continuamente o desenvolvimento de lideranças para que atuem como modelos de comportamento.

Acreditamos que as pessoas observam muito mais o que os líderes fazem do que aquilo que eles dizem. Por isso, reforçamos a importância da coerência entre discurso e prática, da escuta ativa, da segurança psicológica e da capacidade de corrigir desvios de forma educativa e consistente.    

 

Conexão com Certificações e Requisitos Externos


Como a cultura organizacional contribui para manter certificações como FSSC 22000, ISO 9001 e ISO 22000?

As certificações são sustentadas por processos, mas principalmente por comportamentos.

Quando as pessoas compreendem a importância dos requisitos e os aplicam naturalmente em sua rotina, os sistemas tornam-se mais robustos e sustentáveis. A cultura transforma conformidade em hábito.  

   

E o contrário: como as certificações impulsionam comportamentos culturais desejados?

As certificações ajudam a estruturar disciplinas, reforçam padrões de excelência e criam momentos importantes de reflexão e aprendizado.

Elas funcionam como aceleradores culturais porque estimulam melhoria contínua, gestão de riscos, senso de responsabilidade e integração entre áreas.


Abrangência


Como vocês lidam com a diversidade regional e cultural em um país tão grande como o Brasil para manter um padrão de cultura?

Temos a convicção de que os valores são únicos, mas a forma de comunicação pode ser adaptada.

Respeitamos as particularidades locais das fábricas de Resende e Suape, ao mesmo tempo em que mantemos os mesmos princípios, políticas e padrões corporativos. Isso nos traz sinergia. A proximidade das lideranças e a escuta ativa das equipes são fundamentais para garantir esse equilíbrio entre consistência e adaptação.  

 

Tendências e Futuro


Quais tendências você vê para os próximos anos na integração entre RH, cultura organizacional e sistemas de gestão da qualidade e segurança dos alimentos?

Vejo uma integração cada vez maior entre cultura, experiência do colaborador e gestão de riscos.

O futuro passa pela utilização de dados para tomada de decisão, aprendizagem contínua, fortalecimento da liderança, segurança psicológica e construção de ambientes onde as pessoas se sintam responsáveis por identificar problemas e propor soluções.    

 

Que competências comportamentais e de liderança serão mais críticas para sustentar essa cultura?

Destaco cinco competências:

- Empowerment;

- Coragem para agir diante de desvios;

- Comunicação clara e transparente;

- Colaboração entre áreas;

- Aprendizado contínuo.

 

Além disso, líderes precisarão cada vez mais equilibrar alta performance com desenvolvimento humano.  

 

Se pudesse dar um conselho para empresas que estão no início dessa jornada, qual seria?

Não tratem qualidade e segurança dos alimentos como um projeto ou uma certificação.

Tratem como cultura.

Processos podem ser implementados rapidamente, mas cultura é construída todos os dias, por meio de exemplos, conversas, decisões e comportamentos. Quando as pessoas entendem o propósito por trás dos requisitos e passam a acreditar neles, a excelência deixa de ser uma obrigação e passa a fazer parte da identidade da organização.    

 

Mensagem final para encerrar a entrevista:


"Na Pernod Ricard, acreditamos que a qualidade e a segurança dos alimentos não pertencem a uma área específica. Elas pertencem a cada pessoa que faz parte da nossa organização. Quando cultura, liderança e propósito caminham juntos, criamos não apenas produtos de excelência, mas também confiança, reputação e valor sustentável para as futuras gerações."

 
 
 

2 comentários


fabiola.caa
11 de ago.

Incrível a entrevista, excelente conteúdo.

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Grasiela Santos
10 de ago.

Gi e todo o time da GMC, muito obrigada pelo convite. O prazer foi meu em dividir um pouco a minha visão como o RH pode contribuir para fortalecer ainda mais a Cultura de Segurança de Alimentos e Qualidade

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